Novas importações "hors concours"

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12 anos 11 meses atrás #47532 por Luciano Martins da Silva

Rodrigo Marson escreveu: Discussão sobre preço eh sempre complicada, principalmente pq acho q temos q olhar o "valor" e não o "preço", mas isso eh bem relativo, cada um pode enchergar um valor diferente para a mesma breja.

Particulamente, esses preços me incomodam um poko, passa a impressão de q lojas/importadoras (nao sei exatamente qem define esses preços) estão "se aproveitando" dos consumidores por alguns rotulos serem raros e desejados.

O maior exemplo pra mim atualmente são as De Molen, sou loko pra degusta-las, mas pagar R$89 numa garrafinha d 330ml eh fora d questão pra mim. Mais ainda por saber q la fora elas são vendidas por €5.

Acabei decidindo importar umas De Molen, e sairam por R$25 incluindo o frete. Muito melhor assim, a degustação fika ate mais prazerosa. Haha.


Rodrigo importou por onde?
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12 anos 11 meses atrás - 12 anos 11 meses atrás #47541 por Alexandre Almeida Marcussi
Os cálculos do Paul K são interessantes e acho que o consumidor deveria ir mais por aí. Agora, tem alguns cálculos que estão meio estranhos aí: por exemplo, a De Molen Hel & Verdoemines Misto você calculou pelo preço da garrafa grande, sendo que a que veio ao Brasil é a pequena, que custa em torno de 5 euros na Holanda. Quase todas essas cervejas que estamos discutindo ficam na faixa dos 4-6 euros a long neck, contra mais ou menos os 2 euros de uma Chimay. Se seguissem o padrão das demais belgas, chegariam ao Brasil custando 30-50 reais, no máximo. É o caso das De Struise, por exemplo. Agora, algumas são difíceis de entender. Por exemplo, a 3 Fonteinen Oude Geuze sai em torno de 6-7 euros a garrafona lá, e aqui no Brasil chegou custando R$ 120 (o que eleva o seu multiplicador para mais de 15). E não chegou long neck. Agora, o consumidor brasileiro não tem ideia de quanto essas coisas custam nos seus países de origem, então aceitam como natural o preço que lhes é dado no mercado nacional e não faz essas contas que estamos fazendo.

Tem uma outra coisa a se considerar: enquanto alguns custos são proporcionais ao preço original da breja, outros são fixos. Por exemplo, os impostos ou o lucro serão proporcionais ao valor da cerveja importada, mas o frete e os custos administrativos não, já que não importa se a cerveja custa 1 ou 10 euros, o preço para trazê-la de navio é o mesmo. Isso significa que as cervejas mais caras têm de chegar ao Brasil mais caras, mas não proporcionalmente mais caras. O cálculo usando o "multiplicador" proposto pela Paul é uma primeira aproximação, mas é inexata porque não considera isso.

Agora, tem duas discussões paralelas aqui: uma diz respeito à "justiça" (ou como quer que vocês queiram chamar) dos preços desses rótulos; outra discussão diferente diz respeito à emergência de um mercado para eles. Mesmo que os preços estejam inteiramente condizentes com o padrão do mercado, alguma coisa está mudando no Brasil e temos um mercado disposto e com condições de pagar R$ 100 numa long neck ou quase R$ 500 numa garrafona. Isso sinaliza uma mudança no mercado, independentemente se esse preço é coerente ou não. Acho que o mercado cervejeiro começou a se estruturar um pouco como o de vinhos: estão se criando patamares de preço diferenciados para consumidores diferentes. Algumas distorções existem, sem dúvida, mas é preciso reconhecer que estamos com uma maior diversidade também de rótulos acessíveis.

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Porque cervejas são boas para beber, mas também são boas para pensar
Ultima edição: 12 anos 11 meses atrás por Alexandre Almeida Marcussi.
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12 anos 11 meses atrás #47552 por Mauro Ruellas
Concordo com a opinião do Alexandre e da maioria,como estão vendo que os consumidores de cerveja de qualidade está aumentando,querem faturar muito cobrando preços fora da realidade,será que pensam que só pessoas da classe A degustam boas cervejas? No meu caso que sou assalariado pago no máximo 30,00,ótimas opções abaixo disso é o que não faltam.
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12 anos 11 meses atrás #47553 por Alexandre Almeida Marcussi

mauro ruellas escreveu: será que pensam que só pessoas da classe A degustam boas cervejas?


Acho que o que está acontecendo é que, pela primeira vez, estamos vendo emergir uma faixa dentro do mercado cervejeiro voltada quase exclusivamente para a classe A. Agora, isso não significa que não haja cada vez mais opções acessíveis à classe B (que acho que corresponde à maior parte do mercado) e eventualmente C. Mas significa que já não se pode mais assumir que o apreciador médio de cerveja poderia ter acesso à maioria dos rótulos que ele queira provar. Isso muda um pouco a forma como o mercado funciona, e pode tender a setorizá-lo mais, como ocorre no caso dos vinhos.

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12 anos 11 meses atrás #47556 por Paul K
Respondido por Paul K no tópico Novas importações "hors concours"

Alexandre Marcussi escreveu: Agora, tem alguns cálculos que estão meio estranhos aí: por exemplo, a De Molen Hel & Verdoemines Misto você calculou pelo preço da garrafa grande, sendo que a que veio ao Brasil é a pequena, que custa em torno de 5 euros na Holanda. Quase todas essas cervejas que estamos discutindo ficam na faixa dos 4-6 euros a long neck

A De Molen Misto Bourbon calculei pela garrafa pequena mesmo. Esse era o preço do site, talvez estivesse mais caro no site que em outros lugares, mas esse é o preço que tava lá. Eu usei o site e não preços que sabia de cabeça pra ter uma fonte certa de cálculo, mas foi só pra dar uma ideia mesmo, uma aproximação grosseira.

Alexandre Marcussi escreveu: Tem uma outra coisa a se considerar: enquanto alguns custos são proporcionais ao preço original da breja, outros são fixos. Por exemplo, os impostos ou o lucro serão proporcionais ao valor da cerveja importada, mas o frete e os custos administrativos não, já que não importa se a cerveja custa 1 ou 10 euros, o preço para trazê-la de navio é o mesmo.

Já sobre o frete realmente, o custo do frete é proporcionalmente menor em uma garrafa do mesmo peso e volume que seja mais cara. Por outro lado o custo do seguro é maior e tamanho da carga pode ser menor dependendo do tipo de importação feita, o que aumentaria o custo por garrafa. É difícil dizer isso com exatidão, talvez realmente o custo de frete por garrafa acabe menor, mas mesmo se fosse mantida uma proporção eu não me incomodaria.

Alexandre Marcussi escreveu: Agora, o consumidor brasileiro não tem ideia de quanto essas coisas custam nos seus países de origem, então aceitam como natural o preço que lhes é dado no mercado nacional e não faz essas contas que estamos fazendo.

Muita gente não sabe, mas tem muita gente que sabe mas acha que nada pode ser feito já que isso é totalmente culpa dos impostos e da má infraestrutura do Brasil ou mesmo que acaba aceitando pagar mais pela falta de opção e já que é "só uma vez" pra experimentar algo novo. Sendo que esse "só uma vez" é só praquela cerveja, mas são muitas cervejas diferentes...

Alexandre Marcussi escreveu: Agora, tem duas discussões paralelas aqui: uma diz respeito à "justiça" (ou como quer que vocês queiram chamar) dos preços desses rótulos; outra discussão diferente diz respeito à emergência de um mercado para eles. Mesmo que os preços estejam inteiramente condizentes com o padrão do mercado, alguma coisa está mudando no Brasil e temos um mercado disposto e com condições de pagar R$ 100 numa long neck ou quase R$ 500 numa garrafona. Isso sinaliza uma mudança no mercado, independentemente se esse preço é coerente ou não. Acho que o mercado cervejeiro começou a se estruturar um pouco como o de vinhos: estão se criando patamares de preço diferenciados para consumidores diferentes. Algumas distorções existem, sem dúvida, mas é preciso reconhecer que estamos com uma maior diversidade também de rótulos acessíveis.


O mercado de cervejas no Brasil ta crescendo, e assim como em qualquer mercado quanto mais ele cresce mais as empresas tentam ocupar nichos cada vez menores. Mas eu não acho que esse seja um mercado novo per se. Mas sim um mercado que ficou grande o suficiente pra uma empresa tentar dominar ele.

É claro que isso já existe com outras bebidas, você falou dos vinhos, mas poderiamos falar das vodkas, whiskies etc. Mas vamos nos limitar a cervejas. Vai olhar os classificados aqui do fórum, tem gente pagando 250 reais numa DL por exemplo. Ou se você preferir 45-50 reais numa americana qualquer que lá se encontra em qualquer esquina por menos de 3 dólares.

Tudo bem que 45 não é 120, mas se tem gente que paga 45 numa que lá custa 8 vezes menos por que que não vai ter gente pra pagar 120 numa cerveja que lá custa 8 vezes menos também. É uma questão de exclusividade e falta de opção. Muita gente prefere pagar que não ter e por isso os preços são o que são. Enfim, acho que esse mercado já existe faz tempo, mas como cada vez mais pessoas tão gastando mais dinheiro com cerveja, mais empresas estão tentando abocanhar um pedaço dele.
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12 anos 11 meses atrás #47557 por Alexandre Almeida Marcussi

Paul K escreveu: É claro que isso já existe com outras bebidas, você falou dos vinhos, mas poderiamos falar das vodkas, whiskies etc. Mas vamos nos limitar a cervejas. Vai olhar os classificados aqui do fórum, tem gente pagando 250 reais numa DL por exemplo. Ou se você preferir 45-50 reais numa americana qualquer que lá se encontra em qualquer esquina por menos de 3 dólares.


Acho que o caso do "mercado negro" e das brejas contrabandeadas é um pouco diferente, porque aí estamos falando de oportunidades únicas de comprar aquele produto, já que ele não está disponível no mercado nacional. É uma oferta tão limitada que o preço fica ainda mais distorcido, então é outro patamar. Pode ver que o preço estipulado pelos "contrabandistas" quase sempre gira em torno de 200% ou 300% do preço de uma breja do mesmo estilo importada regularmente no Brasil.

Claro que tem um monte de gente pagando 40, 60 mangos numa long neck de uma americana "comum" no mercado negro, porque essas pessoas entendem que "não terão mais a chance" de beber aquela cerveja. Mas acho que as mesmas pessoas hesitariam em pagar o mesmo preço se essas mesmas cervejas fossem importadas regularmente - muito embora, como saibamos, os custos de uma importação regular sejam muito maiores do que o de trazer uma garrafa na bagagem.

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