Gostei bastante do texto, Marcussi. Interessante reflexão. Só faço uma breve ponderação sobre o seguinte trecho: "Naquela época, a cervejaria nacional que pedisse R$ 15-20 numa long neck de pale ale se arriscava a ser motivo de chacota pública. Hoje, não há nada mais corriqueiro". Acho que aí deveria ser considerada a questão da variação do salário mínimo, inflação e talvez uma comparação direta em termos percentuais de quanto custava - na época - uma garrafa de 600ml de Heineken, Bohemia, Original, etc em gondolas de mercado. Afinal, 15-20 reais em 2008 eram uma coisa diferente do que hoje, mesmo se pensarmos na compra de garrafas de cerveja de massa. No entanto, isso não invalida sob hipótese alguma seu argumento geral: o tão propalado argumento da forte queda de preços geral não se confirmou ao longo de quase uma década.
De todo modo, acho que os bares com chope vem desempenhando um papel importante na cidade do Rio de Janeiro. Nas regiões mais boêmias já passamos a encontrar bares (ainda bares especializados em cervejas artesanais, é verdade) com rótulos a partir de 8 reais; preço não tão distante de um chope Brahma. Tenho notado que quase 90% dos novos bebedores de artesanais que eu conheci nos últimos 3 anos tiveram como porta de entrada os seguintes rótulos: Leffe, Hoeggarden, Paulaner, Eisenbahn, Therezópolis e linha "especial" da Bohemia. Os outros 10% eu colocaria na cota da galera que tem certo conforto financeiro e, por ter feito viagens ao exterior, se interessou por novos rótulos. Mas reconheço que essa pode ser uma realidade específica de uma grande cidade feito o Rio de Janeiro, dentro de um grupo típico de classe média.
Enfim, seu texto permite de fato interessantes reflexões. Parabéns!