Marcussi, eu sei que seu comentário não foi especificamente pra mim, mas sim pra todos que pensam de forma similar, mas sabe como é, como toda boa neurótica, eu projeto o tempo todo!
Peço desculpas a vc e ao Renato se meu tom pareceu ríspido, mas como vcs são meus amigos, tenho mais liberdade e coloco aquele meu jeito bocudo e meio incisivo pra funcionar, quem me conhece pessoalmente sabe que eu ladro mas não mordo, né?
Resumindo, nós pensamos de modo obviamente diferente sobre as SAL, pode ser que eventualmente eu adote a postura de vcs, mas por enquanto isso me parece bastante improvável; pra mim é como se a minha vida inteira eu tivesse visto besteirol americano e alguém viesse e me apresentasse Woody Allen e agora esse tipo de humor inteligente passou a ser minha referência de comédia, entende? There's no going back, at least for now.
Mas Marcussi, farei alguns contrapontos e vou defender pelo menos o meu suposto "padrão assimétrico de julgamento". Vamos lá:
-Partindo das minhas avaliações, não é verdade que quando uma artesanal está com defeito eu digo que ela está zoada, mas quando é uma AL eu digo que ela é ruim. Não terei saco de voltar pra rever, mas de cabeça me lembro que todas as vezes que avalio uma SAL ou PAL, quando ela apresenta defeito eu digo na minha avaliação que a cerveja estava comprometida e não que ela é assim, mas ressalvo que não terei disposição de comprar outra. Lembro que apontei isso em praticamente todas as avaliações que fiz das premiuns de macro (zoadas) que bebi.
-É verdade que quando é uma IPA (ou algum outro estilo que não aprecio) eu falo que é um estilo que não me agrada pra explicar por que no mais das vezes a nota normalmente não é alta como a de outros avaliadores, principalmente no quesito sensação. Vou começar a fazer essa mesma ressalva quando for avaliar as SAL, por amor à coerência, ok?
-Quando vc diz que elas vêm isentas de defeitos em várias situações, acredito em vc, mas não é o que acontece comigo, Marcussi. Na maioria esmagadora dos casos em que pego alguma SAL ou PAL de macro para beber e aproveitar o ensejo e avaliá-la, ela está sempre com alguns dos seguintes: metálico muito forte, DMS elevadíssimo, dando sensação de pamonha, papelão pronunciado, boa dose de diacetil, lembrando manteiga (cheiro que não me agrada absolutamentem até pq não como pão com manteiga, só muito raramente com margarina) ou caprílico lembrando copo mal lavado ainda com detergente. Pode ser puro azar meu, mas é o que acontece, juro por Darwin. Sou tão pé-frio que quando convenci o pessoal da minha agência a comprar algumas heinekens (de lata!!) num churras, até elas estavam zicadas, parece até praga da Ambev...
-Como vc mesmo disse, vc "espera" para avaliar sem defeito, então quer dizer que vc tb as pega com defeitos, para vc essas ocasiões podem ser a exceção, mas para mim são a regra; falo só da minha experiência (restrita), mas não falo apenas de ouvir dizer, assevero.
-Sim, o ideal seria avaliar as cervejas apenas quando elas estivessem sem defeito, mas como vc mesmo disse, em alguns casos é pecuniariamente inviável e em outros, a cerveja via de regra apresenta aquele defeito, o que complica; em outros ainda, simplesmente não há interesse algum da minha parte de adquirir outro exemplar.
-Sim, há o problema da distribuição e armazenagem, com certeza, não nego isso. E tal problema afeta algumas importadas que tb usam a mesma rede, vide Leffe, Hogaarden e Franziskaner. Mas eu ainda prefiro beber uma Leffe zoada a uma Skol zoada, é fato.
-Vc disse "por serem cervejas que se propõem a apresentar poucas informações sensoriais, seus ocasionais defeitos são muito mais evidentes que em cervejas mais intensas. É como tentar esconder um elefante num gramado." Concordo, e esses são dois dos motivos que me fazem desgostar tanto das cervejas desse estilo: quando boas, apresentam poucas (e pífias, no meu gosto) informações sensoriais; quando comprometidas, a coisa fica difícil de descer goela abaixo, não há nada para ocultar o defeito. Não vejo a vantagem de um estilo (fora o preço baixo) que quando produzido corretamente gera cervejas amenas, meramente refrescantes e que quando malogra, gera cervejas francamente desagradáveis de beber.
-Sim, eu posso citar um entendido/especialista qualquer, isso não quer dizer nada, significa apenas que eu concordo com aquela pessoa e que eu não sou a única que pensa assim, só isso. Tem gente que quer me bater quando eu digo que acho Piratas do Caribe um lixo de filme, mas não sou só eu que acho isso, felizmente.
-Eu só fico com uma dúvida no final de tudo isso: se dentro de sua proposta, as AL de macro são cervejas de qualidade, quais são as ruins dentro desse estilo? Melhor dizendo, existem ruins? Pq me parece que o estilo almeja a tão pouco -refrescar, ser leve e ter boa drinkability- que fica difícil imaginar conseguir fazer uma cerveja ruim seguindo esses parâmetros.