Pensando como produtor, eu preferiria indicar ao meu consumidor a janela de tempo dentro da qual eu acredito que o meu produto terá um desempenho (sensorial) otimizado. Acho que dizer que uma pilsner estará "boa para consumo" por tempo indeterminado é enganar o consumidor, que abre uma garrafa desse estilo esperando certas características que não se mantêm por muito tempo. Como consumidor, nós, apreciadores, sabemos quais cervejas devem ser tomadas jovens e quais podem se beneficiar de um pouco de envelhecimento (e poderíamos até dar um "chute esclarecido" acerca do tempo que podemos envelhecer esta ou aquela), mas o consumidor leigo não tem nenhuma base para saber isso. A data de validade é um indicativo seguro de qualidade, não apenas de dano à saúde.
Claro que há discrepâncias. A maior parte das datas de validade computa uma "janela de tolerância", isto é, o produto normalmente aguenta mais tempo do que o indicado (isso para qualquer tipo de produto com data de validade). E existem algumas "bolas fora" mesmo. Por exemplo, a Baden Baden Red Ale teoricamente fica boa por muito mais tempo do que o indicado na validade, mas para o consumidor leigo, é como o Fernando falou, existe uma garantia de qualidade.
Ainda acho que tudo o que for possível para esclarecer o consumidor deve ser empregado pelos produtores. Ainda mais porque o brasileiro ainda é muito "deseducado" no consumo de cervejas. No fundo, é um pouco como as recomendações de temperatura de degustação. Vc pode tomar em temperaturas diferentes? Claro que pode. Vai estar boa? Muito provavelmente (algumas mais, outras menos). Eu, por exemplo, costumo gostar de cerveja acima da temperatura indicada. Mas o produtor indica a temperatura em que ele acha que a maior parte das pessoas vai preferir sua cerveja, de acordo com certas características esperadas pelo estilo.