Legal esse tópico! Escolhi dez brejas que bebi pela primeira vez em 2012 (ou que foram abertas depois de algum tempo de guarda) e as apresento sem uma ordem específica, comentando por que as achei imperdíveis. Foi um ano bem "belga" para mim, com destaque para as excelentes cervejas da De Dolle e da Cantillon. Vamos lá:
De Dolle Oerbier Special Reserva: uma Belgian dark strong ale maturada em carvalho durante 18 meses. A enorme complexidade de frutas, tostados e especiarias da receita original soma-se aos aromas animais, amendoados e amadeirados, aos taninos e à acidez lática da maturação como em uma oud bruin.
Biertruppe Vintage Nº 1 (2 anos de guarda): ela já era incrível quando foi lançada, mas a evolução amaciou ainda mais os maltes sem lhe tirar corpo nem amargor. Frutas, muita madeira, alguma autólise em equilíbrio bacana.
De Struise Pannepot Old Fisherman's Ale 2010: esta versão bem condimentada, um pouco mais rústica e torrada de uma Belgian dark strong ale é um feito da De Struise. A torrefação gentil e agradável não ofusca a avalanche de frutas e especiarias. Pena ter chegado ao Brasil tão cara.
Cantillon Lou Pepe Framboise Vintage 2002 (8 anos de guarda): a longa guarda ainda preserva um pouco da fruta e muito da acidez implacável da Cantillon, mas já a complementa com uma profundidade de aromas de maturação e um perfil carnudo de proteínas que lhe deram mais elegância que as lambics jovens.
De Dolle Arabier: Belgian IPA na medida, puríssima, com muitas frutas frescas elegantamente escoltadas pelos aromas florais, herbais e condimentados, bem rústicos, do dry-hopping de Nugget em flor de Popperinge.
Duchesse de Bourgogne: Flanders red impiedosa e carregada. Malte tostado e muita madeira e acético, com um toque acetonado que impressiona fortemente e não desagrada. Rótulo cuja chegada ao Brasil, a bons preços, eu comemorei muito.
De Struise Cuvée Delphine: dentre todas as que provei, esta mostrou-se o melhor dos experimentos da De Struise com maturação em madeira (barris de bourbon). A madeira amaciou os maltes torrados, intensificou as frutas e lhe deu ares abaunilhados e de álcoois perfumados, sem muita oxidação.
Cantillon Kriek 100% Lambic Bio: no ano em que me apaixonei perdidamente pelas lambics, elegi esta como minha lambic de frutas preferida. Seca, ácida, elegante, com a fruta, o amendoado, os aromas de Brett e um incrível toque de especiarias doces em equilíbrio perfeito.
Chimay Bleue 1986 (26 anos de guarda): é verdade que ela já havia passado do ponto ideal de consumo. O aroma vínico já estava se transformando em químico, mas a picância e o forte salgado de autólise ainda equilibravam heroicamente a doçura. Surpreendentemente harmônica para sua idade.
Bamberg St. Michael: a mais surpreendente das cervejas nacionais que provei em 2012. A Bamberg conseguiu aqui ao mesmo tempo respeitar a tradição alemã (a mais rígida das escolas cervejeiras) e praticamente criar um estilo novo, que mistura as frutas da Weizenbock com o aroma de dry-hopping e uma pegada acética e defumada da maturação em madeira. Ótima criação!