Aproveitando o tópico, seguem as 10 melhores nacionais que bebi em 2012. A Wäls sem dúvida foi o destaque do ano, para mim (mas também há de se levar em consideração que eu visitei a fábrica da cervejaria em novembro e pude provar muita novidade e revisitar ótimos rótulos antigos). Na verdade, estive um pouco em falta com as nacionais esse ano. Muitos lançamentos importados e muitas cervejas que eu trouxe de fora deixaram as nacionais em segundo plano, mas bebi algumas deliciosas que recomendo:
Biertruppe Vintage Nº 1 (2 anos de guarda): ótima quando foi lançada, e pelo menos tão boa quanto dois anos depois. Malte macio e bem presente, frutas, muita muita madeira e ainda com bom corpo e amargor.
Bamberg St. Michael: surpreendente experimento da Bamberg, misturando o forte frutado de uma Weizenbock com o floral de lúpulo do dry-hopping e com uma pegada sour da maturação em carvalho. Um novo estilo seguindo as rígidas regras da escola alemã!
Eisenbahn Weizenbock: não é que ela ficou ainda melhor do que já era? O doce frutado e caramelado se une a uma leve torrefação do malte e a um frescor de rosas, tutti-frutti e especiarias. Consegue ser uma bock marcante sem deixar de lembrar exatamente a sensação de beber uma boa Weizen. Sempre, sempre na minha geladeira.
Abadessa Slava Cerveja Pilsen: uma pilsen boêmia muito fiel, sem cair na tentação da secura excessiva das outras interpretações contemporâneas do estilo. Uma pancada de maltes com frescor inacreditável devido à ausência de pasteurização, e aquele aroma e amargor finos do Saaz tcheco.
Colorado Vixnu: uma interpretação tropicalizada e festiva do estilo consagrado pelos norte-americanos, com uma indulgente doçura caramelada e boa complexidade de lúpulos cítrico, frutados, herbais e florais.
Wäls Brut: a nova versão da Wäls Brut é uma cerveja muito diferente de quando foi lançada. Com 12 meses de maturação (em comparação com 9 da época do lançamento), ela ainda tem a complexidade frutada e floral da tripel, mas com uma pegada elegante de aromas animais e uma acidez destacada. Única.
Wäls Quadruppel (maturada em barris de carvalho): experimento não-comercial da Wäls, une a complexidade frutada e caramelada da Quadruppel com aromas de vinho do Porto e uma forte sensação salgada e acética da maturação estendida. Promete.
Way 8 Secrets: cerveja colaborativa criada sob a batuta da cervejaria Way, tem um corpo e doçura pesados de malte (aproximando-a de uma red ale imperial) e um perfil frutado de lúpulo que lhe dá sensação de geleia. Pesada e marcante.
Wäls Quadruppel (2,5 anos de guarda): mantém aquela doçura caramelada incrível da Quadruppel fresca, mas aprofundou sua licorosidade com uma cachaça ainda mais evidente, vinho do Porto e um certo achocolatado. Ótima evolução. Poderia ter citado a Quadruppel fresca, mas cito deixo apenas as duas envelhecidas no ranking.
Wäls Petroleum: notável pela iniciativa (parceria com homebrewers) e notável pela receita em si. Chocolate amargo complementado por frutas secas e passas e por uma agudeza de aromas florais da refermentação. Corpo imenso e amargor potente.