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Eu também não defendo rankings, acho que eles, mesmo com suas distorções, tem realmente o papel de apresentar opções pra outros bebedores, coisas que concursos nunca terão devido a sua limitação de cervejas julgadas, mas não acredito que eles representem a verdade e nem que sejam índices de qualidade. Alias, eu não acho que precisamos de índices de qualidade medidos de forma alguma, só talvez como curiosidade, mas não como certezas. Até por que não existe objetividade em algo tão subjetivo como gostos de cervejas. Eu posso gostar mais da cerveja prata no concurso do que da cerveja ouro, posso gostar mais da cerveja na décima posição 10 do que a cerveja na primeira. E nada impede que meu gosto mude com o tempo.Alexandre Marcussi escreveu: Acho que esse é o ponto principal da discussão, e é aí que discordamos. A sua situação ideal pressupõe um mercado que tenha ampla familiaridade com a história de todas as propostas gastronômicas disponíveis e que, portanto, saiba julgar por si só "o que é uma boa saison", por exemplo. Ocorre que, para adquirir esse conhecimento, você precisa justamente... ter provado as saison consideradas de referência! E alguém teve de dizer para você quais eram essas cervejas, normalmente baseado em indicações referendadas por especialistas e concursos. Todo mundo que começa a beber cerveja precisa que alguém diga quais são os rótulos que representam melhor cada estilo, e essa indicação não tem de onde partir a não ser de especialistas com alta "litragem" nesses estilos particulares, que conheçam o desenvolvimento histórico do estilo, o surgimento das marcas no mercado e esteja bem familiarizado com o perfil sensorial de cada uma delas. Não é "um cara qualquer num lugar qualquer" quem definiu o que seria uma Double IPA, é uma equipe de especialistas, os mais familiarizados com o desenvolvimento histórico desse estilo.
Você parece propor que a qualidade das cervejas seja medida por um mercado anônimo de consumidores comuns (como ocorre em guias como o RateBeer, o Beer Advocate e o Brejas). Mas as distorções grosseiras que vemos em todos esses rankings (e que são parte intrínseca da sua proposta) os desautorizam como índices minimamente objetivos de qualidade das marcas, e podem transformar o rankeamento em um mero produto de modas, distorções de marketing e distribuição e fetichismos. Eu já escrevi isso em outro lugar aqui no Brejas e ainda tenho essa opinião: rankings e campeonatos têm naturezas e propósitos diferentes, e um mercado maduro precisa de ambas as coisas em paralelo. Um não desautoriza o outro.
Paul K escreveu: O que eu quis dizer é que cabe a cada um de nós, particularmente, gostar ou não de uma cerveja e assim dar ou não qualidade a ela.
Paul K escreveu: Claro que quem realmente define os guias devem ser especialistas, mas duvido muito que sejam verdadeiros historiadores de cada estilo definido. Se fossem, porters e stouts seriam um estilo só.
O problema é que eles não refletem o que acontece na prática, não hoje nem no passado. Porter e Stout é só um exemplo. Podia ser Quads e BSDA (mesmo Dubbels) entre outros.Alexandre Marcussi escreveu:
Paul K escreveu: Claro que quem realmente define os guias devem ser especialistas, mas duvido muito que sejam verdadeiros historiadores de cada estilo definido. Se fossem, porters e stouts seriam um estilo só.
As definições de estilos do BA e do BJCP são muito modernas. Pouquíssimas categorias refletem realmente estilos que já existiam, da forma como são definidos hoje, antes do século XX. Nunca fiz a contagem, mas acho que, se fizermos, descobriremos que talvez metade dos estilos classificados nesses guias adquiriram sua forma atual na segunda metade do século XX. São mais um reflexo da história recente da "craft beer revolution" do que do passado cervejeiro remoto.
Paul K escreveu: Eu acho que seu amigo faria muito melhor em perguntar pra você e pra outras pessoas que gostam de cerveja, como as que tão aqui no fórum, que ficar conferindo cervejas vencedoras de concursos, mas se você acredita na importância deles acho que teremos que concordar em discordar.
Yuri Lopes escreveu: Depois que a XINGU foi eleita melhor cerveja escura do mundo pelo Beverage Institute Tasting de Chicago e pelo International Taste & Quality Institute da Bélgica eu não acredito na credibilidade destes prêmios. A Xingu é uma cerveja boa, honesta, mas melhor do mundo? Aí forçou a barra né parceiro! Tudo bem que estes que a julgaram a melhor do mundo não sejam concursos, mas baseado no que se pode dizer que uma cerveja é a melhor do mundo, quando o paladar é pessoal? Claro que existem unanimidades mas eu acho difícil dizer que tal cerveja é A melhor...
Talvez indiretamente, em alguns casos. Mas isso não significa que sem esses concursos eu não viria a beber as mesmas cervejas. Ou você vai me dizer que todas (mas mesmo 10%) as cervejas boas que bebemos é por elas terem ganho algum concurso?Alexandre Marcussi escreveu: Meu amigo não só faria melhor como efetivamente fez o que você disse. Mas você está insistindo em ser simplista, Paul, me desculpe. Ou você acha que os resultados de campeonatos como o World Beer Cup e o Europen Beer Star não afetam, direta ou indiretamente, as cervejarias e rótulos que pessoas como eu ou você beberam para entender o que era o estilo X ou Y?
Você está querendo uma quimera, que é a coincidência completa entre os concursos e as tendências mais recentes de um mercado extremamente dinâmico. A impossibilidade de se obter isso não deveria implicar necessariamente a inutilidade de todo e qualquer sistema de validação de qualidade. Senão ficamos todos no escuro, impossibilitados de escolher diante de uma variedade tão grande. Concursos nunca vão refletir a percepção de quem está procurando inovação, mas precisam existir para constituir um elo entre essa inovação do presente e a tradição legada pelo passado.
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