I Concurso Brasileiro de Cervejas

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12 anos 10 meses atrás #45477 por Marcelo Vodovoz

André Rodrigues escreveu: Mas pessoal. Qual era o Guia de Estilos usado nesse concurso?


eis a questão...
e além disso, quem determina em que categoria a breja vai concorrer? a cervejaria ou uma comissão da competição?
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12 anos 10 meses atrás #45481 por Gabriel Lucas Scardini Barros

Marcelo Vodovoz escreveu:

André Rodrigues escreveu: Mas pessoal. Qual era o Guia de Estilos usado nesse concurso?


eis a questão...
e além disso, quem determina em que categoria a breja vai concorrer? a cervejaria ou uma comissão da competição?


Não tive saco para ler, mas na página do concurso tem o critério dos estilos .

Abraços,

Gabriel Lucas
factoide.com.br
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12 anos 9 meses atrás #45490 por Alexandre Almeida Marcussi

Marcelo Vodovoz escreveu:

André Rodrigues escreveu: Mas pessoal. Qual era o Guia de Estilos usado nesse concurso?


eis a questão...
e além disso, quem determina em que categoria a breja vai concorrer? a cervejaria ou uma comissão da competição?


O guia de estilos adotado foi o BA. Mas não tinha todas as categorias do BA (vide o exemplo de imperial stout, que só tinha a "English-style"). A cervejaria decide em que categoria quer concorrer, como em qualquer concurso desse tipo. Mas deveria haver um "double-check" da comissão organizadora para critérios objetivos como teor alcoólico, justamente para evitar aberrações como a Eisenbahn Lust Prestige concorrendo como saison. Agora, os juízes não perceberam que aquilo tinha álcool demais para uma saison?

ocrueomaltado.blogspot.com
Porque cervejas são boas para beber, mas também são boas para pensar
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12 anos 9 meses atrás #45495 por Paul K
Respondido por Paul K no tópico I Concurso Brasileiro de Cervejas

Alexandre Marcussi escreveu:

Paul K escreveu: Nenhum concurso desses presta. O simples fato de uma cerveja conceituada, largamente aprovada não ir bem por não se encaixar exatamente dentro de um estilo fechadinho que algum cara em alguma época em algum lugar definiu mostra como esses concursos são irrelevantes.


Não poderia concordar menos com você. Estilos são definições historicamente construídas de gostos e propostas de paladar. Definem possibilidades que podem e devem continuar sendo produzidas com excelência. Concursos servem para julgar isso. Isso não significa que não se deva inovar. Com o tempo, a inovação também pode consolidar gostos e tendências e criar novos estilos. Vide a maioria dos estilos intitulados "American", que surgiram de variações e inovações em estilos consagrados.

Mas, para que uma determinada proposta de cerveja vire um estilo, ela precisa primeiro conquistar o paladar do público e dar origem a novos rótulos que buscam a mesma coisa. A partir daí surge uma nova denominação. Ou seja, o papel de construir um novo estilo é, primeiramente, nosso, e não dos concursos. Eles acompanham o mercado com um delay inevitável. Senão, o julgamento perde qualquer validade e vira achismo de mesa de bar: eu gosto de azul, você gosta de amarelo. Aí, sim, os concursos seriam irrelevantes.


Não disse que sou contra os estilos per se, eles são obviamente construtos históricos que assim categorizam as cervejas de acordo com propostas de paladar e métodos de fabricação. Entretanto a partir do momento que existem guias de estilos diferente, e portanto com definições diferentes dos mesmos estilos, existe um processo racional de definição formal por parte dos organizadores do guia em cada estilo.

Assim o estilo deixa de ser uma historicidade, uma proposta, e vira um padrão fundamentado não só em sua história como em uma referência escolhida subjetivamente por alguém. Se alguém disse que a PtE é a referência sob a qual todas American IPA devem ser julgadas é por que esse alguém escolheu um exemplo como um modelo. A PtE não é igual a HT, que não igual a Hop Stoopid, que não é igual a 90 min, que não é igual a Vixnu. E por que uma representa mais o estilo que a outra?

Acho que o ponto fundamental é a "proposta de paladar", como você bem disse. Quando se deixa de ver um estilo como uma proposta sujeita a discussão, adaptação, interpretação etc. e se vê como um padrão a ser seguido e sobre o qual as cervejas devem ser julgadas, não em a relação a sua qualidade mas em relação a sua aderência ao estilo esse estilo já não é mais uma proposta, e sim uma lei, uma imposição. Por que se fosse de acordo com o guia de estilos, seria de acordo com a excelência definida pela BA ou pelo BJCP ou por algum outro?

O problema desses concursos não é o atraso em relação ao mercado, mas sim a tentativa fútil de formalizar e colocar numa caixinha o que não deveria ser formalizado ou posto em uma caixinha. A beleza da cerveja é eu gostar de azul e você de amarelo, o que vai garantir de as cervejas sejam produzidas com excelência somos nós, e não os concursos. O julgamento deve ser nosso, no dia a dia, e não em concursos aleatórios.
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12 anos 9 meses atrás - 12 anos 9 meses atrás #45497 por Yuri Lopes
Respondido por Yuri Lopes no tópico I Concurso Brasileiro de Cervejas
Depois que a XINGU foi eleita melhor cerveja escura do mundo pelo Beverage Institute Tasting de Chicago e pelo International Taste & Quality Institute da Bélgica eu não acredito na credibilidade destes prêmios. A Xingu é uma cerveja boa, honesta, mas melhor do mundo? Aí forçou a barra né parceiro! Tudo bem que estes que a julgaram a melhor do mundo não sejam concursos, mas baseado no que se pode dizer que uma cerveja é a melhor do mundo, quando o paladar é pessoal? Claro que existem unanimidades mas eu acho difícil dizer que tal cerveja é A melhor...

"Era um homem sábio aquele que inventou a cerveja."
Platão
Ultima edição: 12 anos 9 meses atrás por Yuri Lopes.
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12 anos 9 meses atrás #45500 por Alexandre Almeida Marcussi

Paul K escreveu: O problema desses concursos não é o atraso em relação ao mercado, mas sim a tentativa fútil de formalizar e colocar numa caixinha o que não deveria ser formalizado ou posto em uma caixinha. A beleza da cerveja é eu gostar de azul e você de amarelo, o que vai garantir de as cervejas sejam produzidas com excelência somos nós, e não os concursos. O julgamento deve ser nosso, no dia a dia, e não em concursos aleatórios.


Acho que esse é o ponto principal da discussão, e é aí que discordamos. A sua situação ideal pressupõe um mercado que tenha ampla familiaridade com a história de todas as propostas gastronômicas disponíveis e que, portanto, saiba julgar por si só "o que é uma boa saison", por exemplo. Ocorre que, para adquirir esse conhecimento, você precisa justamente... ter provado as saison consideradas de referência! E alguém teve de dizer para você quais eram essas cervejas, normalmente baseado em indicações referendadas por especialistas e concursos. Todo mundo que começa a beber cerveja precisa que alguém diga quais são os rótulos que representam melhor cada estilo, e essa indicação não tem de onde partir a não ser de especialistas com alta "litragem" nesses estilos particulares, que conheçam o desenvolvimento histórico do estilo, o surgimento das marcas no mercado e esteja bem familiarizado com o perfil sensorial de cada uma delas. Não é "um cara qualquer num lugar qualquer" quem definiu o que seria uma Double IPA, é uma equipe de especialistas, os mais familiarizados com o desenvolvimento histórico desse estilo.

Você parece propor que a qualidade das cervejas seja medida por um mercado anônimo de consumidores comuns (como ocorre em guias como o RateBeer, o Beer Advocate e o Brejas). Mas as distorções grosseiras que vemos em todos esses rankings (e que são parte intrínseca da sua proposta) os desautorizam como índices minimamente objetivos de qualidade das marcas, e podem transformar o rankeamento em um mero produto de modas, distorções de marketing e distribuição e fetichismos. Eu já escrevi isso em outro lugar aqui no Brejas e ainda tenho essa opinião: rankings e campeonatos têm naturezas e propósitos diferentes, e um mercado maduro precisa de ambas as coisas em paralelo. Um não desautoriza o outro.

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