Em qualquer negócio deve haver o "valor percebido". Enquanto o negócio é novidade e exclusivo esse valor percebido é muito aparente e é o que faz o empresário converter. Já não é tão aparente o "valor percebido" em um empreendimento que oferece vários rótulos de cervejas. Perto da minha casa mesmo tenho uma grande Rede de Supermercados que fazem quaisquer preços dos e-commerce de cervejas parecerem uma piada, tá não tem tantos rótulos assim, mas uns 80% eu encontro fácil. Conversei com um cara que tem um Mr Beer em Manaus, ele não compactua com nada do que nós percebemos aqui no sudeste e sul do país. Lá o cara, por enquanto está nadando em dinheiro e rindo dos e-commerce do sudeste que aplicam margens de no máximo 25% enquanto que lá chegam a 200%. Nosso mercado é bem mais racional. Colocamos os pés no chão. Não existe almoço grátis. O cara achar que com um investimento inicial ele compra um montão de cerveja e depois aplica uma margem de 200% e fica rico... aqui não funciona. Não existe "Valor Percebido" em revender coisas. As margem devem ser sempre racionais, envolver alta escala e estandartização. Quem ganha dinheiro é quem inventa ou produz algo, quem só repassa não deve ganhar mesmo. Vejam só o caso do Mr Beer: O empresário, que deveria ser remunerado pelo lucro da venda da cerveja (quem em sí é uma das atividades mais elementares) acaba ganhando vários "sócios": o franqueador, o dono do shopping, os funcionários do Quiosque e o governo (que pune todos). Ora, a não ser que eu venda drogas, não existe fórmula mágica. Ou eu ponho 200% em cima do preço da cerveja para pagar todos os "sócios" ou eu vendo muito, mas muito, mas muito mesmo. Muito. Muitão. E só pra lembrar tem um outro "sócio escondido" o Retorno sobre investimentos. Aposto com quem quiser que os empresários brasileiros, sei lá, uns 44% morrem antes de recuperar o que investiram. Eu não tenho qualquer negócio, meu sonho, mas não tenho e ninguém me convencerá de que ficarei rico (remediado) vendendo o que eu gosto muito, cervejas. PS: Acompanho como posso esse mundo e o que eu penso que está no caminho certo: os bares gourmets, microcervejarias. Coisas que eu acho que estão em queda livre ( e não há marketing que me faça crer o contrário): clubes de assinatura em geral e e-commerce. Pequenos "boom" passageiros: crowdfunding, blogs modinha estilo Maria Cevada e aplicativos nerds para dizer onde você bebeu cerveja... mais reticências....