Sei que essa discussão já apareceu de certa forma em outros tópicos, mas a idéia aqui é focar num ponto: a diferença de preços entre as cervejas importadas no Brasil e em outros países do Mercosul.
Mês passado estive em Buenos Aires e ao fazer compras em um supermercado para levar algumas cervejas para beber no hotel, me deparei com uma Chimay Bleue 330ml. O preço? ARS17, que com o câmbio atual sai por algo como R$8.
Havia outros exemplos. A Dam Inedit, que em supermercados é encontrado por até R$40, lá saía a ARS21, ou menos de R$10. Não vi Urquell para comparar, mas comprei uma Staropramen 330ml pelo equivalente a R$3.
Em Montevideo, você consegue comprar um kit com 4 cervejas da escocesa Broughton por cerca de R$27. O que é em muitos bares e empórios brasileiros o preço de apenas uma garrafa de vários rótulos da grã bretanha disponíveis por aqui.
Já na capital chilena, com menos de R$10 se pode escolher entre Bornem, Bruegel, Kasteel, La Trappe e Unibroue nas versões long neck entre outros.
O que me intriga é que as artesanais chilenas, argentinas e uruguaias custam em seus países praticamente o mesmo de preço que as brasileiras aqui. Assim como as "Ambevianas" como hoegaarden e leffe custam nesses mercados o mesmo que aqui em reais (R$4-5) embora na maioria desses países (senão em todos) a importação delas não é direta pela Ambev...
Sei que é real toda a questão dos altos impostos e do famigerado "custo brasil" - a nossa burocracia certamente pesa no bolso dos importadores. Mas o argumento se perde na comparação já que - sem contar é claro o Chile - nossos hermanos não vivem em economias com muita diferença da nossa nesse sentido. Mas mesmo se fossem economias com baixíssima carga tributária a diferença é muito gritante para se justificar sozinha com estes pontos. Tudo indica que há boa camada de gordura nos nossos preços, e apesar disso (e da baixa do dólar no último ano) continua forte pressão de alta nos preços.
Quem é responsável então por essa realidade? Na minha opinião, ninguém além de nós consumidores. Cada vez que alguém topa pagar R$50 por uma garrafa que poucas semanas antes custava R$35 está contribuindo para esta política de preços. De certa forma, não censuro os importadores e comerciantes - por que razão iriam eles apertar suas margens se o mercado está disposto a pagar mais e a mercadoria está girando?
Da minha parte, estou boicotando as cervejas que julgo hiperinflacionadas e recomendando a quem me pede opinião e indicações de rótulos que faça o mesmo. Me parece a única saída.