Chegou o dia de tomar a famigerada Westvleteren 12. E logo de cara, há de se assumir que é difícil não fazer um comentário enviesado sobre ela. Afinal, você entra no mundo da cerveja aprendendo que ela é "a melhor cerveja do mundo". Bem, ela é realmente especial. E não, ela não é a melhor cerveja do mundo.
A presença no cálice trapista é linda, um marrom bem turvo, formando uma quantidade de creme que eu acho ideal. O aroma é delicioso e muito equilibrado, tem medidas muito balanceadas de dulçor, toffee, caramelo, chocolate, frutas vermelhas/roxas, sem esconder leve sensação licorosa. Na boca, todas essas notas se alternam muito bem, com transições muito interessantes ao longo da degustação e até mesmo durante um mesmo gole. O álcool é muito bem escondido. Só esperava um pouco mais de corpo, não senti nada muito aveludado ou que definitivamente enchesse a boca.
É uma grande cerveja, muito bem feita, calibrada, gostosa. Não é perfeita, na minha opinião, mas chega perto disso, dentro de seu estilo.
Comprada a garrafa aqui mesmo no Brasil, aquela mística toda ao redor da cerveja, a dificuldade de se conseguir, o que foi superada neste momento, além do preço. Tudo isto junto em uma quantidade pouco maior que 300 ml de um líquido especial.
Nem sei se consigo descrever todas as sensações. Desde a coloração ao sabor.
Especial e sensacional, licorosa, saborosa.
Próximo passo, ir tomar uma in loco.
Tive o privilégio de tomar duas West 12 no cálice original, há mais de um ano, presente de um amigo que tinha feito o tour trapista na Bélgica/Holanda. Na época, mal tomava cerveja puro malte, daquele dia em diante, após contato com uma cerveja que mais parecia um licor ou conhaque, ou algo de outro mundo, passei a me interessar por cervejas especiais, ou simplesmente, Cerveja, com C maiúsculo. Lembro que, ao primeiro golpe, mesmo leigo, fui tomado pela explosão de sabores e aromas, com a presença visual de partículas suspensas, tipo aquelas da Fanta. O doce, o álcool, vários sabores frutados, de especiarias, que não sei dar nome. A garrafa sem rótulo, e a dificuldade de conseguir uma Westvleteren com certeza contribuíram com a mística em torno delas. É uma anti-propaganda, a falta de rótulo dá todo o charme a essa cerveja. Espero ainda tomar algumas dessa joia em minha vida.
Acho que não há muito para ser dito sobre essa lenda do mundo das cervejas. É com certeza uma das melhores cervejas em existência apesar de haverem outras muito similares, sem esta "aura" de santo graal.
Não sou nenhum sommelier de cerveja, tampouco um profundo entendedor da arte, contudo, tive o prazer de degustar essa preciosidade. Certamente é a melhor cerveja que já tomei na vida. Tem um aroma adocicado e único que você consegue perceber desde o momento em que abre a garrafa. Ela tem uma textura escura (na verdade, um bronze) e, apesar do alto teor alcoólico, você não consegue perceber isso... apresenta uma relação muito boa entre malte e lúpulo... Aconselho muito.... custa caro aqui no Brasil, mas se puder, adquira ao menos uma garrafa e experimente, você não vai se arrepender