Retirado do Blog do Ricardo Amorim:
A polêmica já tem algumas semanas, mas eu estava esperando um posicionamento da Agromalte para soltar o post. Como a resposta ainda não veio, publico agora a versão das ACervas sobre o problema, que resumo a seguir.
A Agromalte é a distribuidora exclusiva no Brasil dos maltes especiais da Weyermann, usados por nove entre dez cervejeiros caseiros na elaboração de suas receitas (as indústrias também utilizam muito). De uns dias para cá, a empresa nomeou um único canal de distribuição e proibiu a venda de maltes para pessoas físicas e também para as pessoas jurídicas das ACervas, o que causou estranhamento e indignação por parte das associações de cervejeiros. Falei hoje com um representante da empresa que me informou que um comunicado oficial está sendo preparado em conjunto com a Weyermann. Enquanto o documento não sai, leiam abaixo a carta das ACervas enviada à empresa. Este blog continuará acompanhando a questão e publicará na íntegra o comunicado da empresa tão logo ele seja divulgado. Aguardemos os desdobramentos.
"Em nome das ACervAs Carioca, Paulista, Mineira, Gaúcha, Catarinense, Paranaense, Baiana e Capixaba, Goiana, Potiguar e Pernambucana, venho por meio desta externar nosso grande descontentamento com a informação de que a Agromalte tenha adotado um único e exclusivo distribuidor de seus maltes, especialmente os maltes especiais da Weyermann, que há pelo menos cinco anos vem permitindo a elaboração de estilos de cervejas até então pouco difundidos no Brasil, e assim contribuindo para o desenvolvimento da cultura cervejeira no nosso país.
Sabidamente, desde de 2006 a Agromalte vem apoiando as ACervAs na difusão da cultura cervejeira caseira, seja com apoio aos nossos concursos e eventos, seja com fracionamento de sacas de malte pílsen, visando assim facilitar o acesso aos maltes pelos cervejeiros que produzam em menor escala. Vale lembrar que um dos motivos de ser criada a primeira ACervA foi poder efetuar compras conjuntamente entre seus associados, assim diminuindo os custos na aquisição dos maltes, uma vez que na época havia apenas uma loja voltada ao mercado cervejeiro caseiro. Estranhamente, de 2006 para cá o mercado caseiro cervejeiro cresceu de forma exponencial, outras lojas cervejeiras foram abertas em diversos estados, o que favoreceu ainda mais ao crescimento das ACervAs, e o que observamos foi um retrocesso na postura da Agromalte, estatuindo um exclusivo fornecedor de seus malte e os da Weyermann, o que encareceu e dificultou o acesso pelos cervejeiros caseiros, quase que voltando a situação que tínhamos há 5 anos.
Esperamos que tal posição seja revista, pois do contrário será uma grande perda para cultura artesanal caseira de cerveja, fato. Certamente não será o fim, alternativas serão buscadas, mas com sinceridade acreditamos que a Agromalte esteja visando o fortalecimento da cultura cervejeira com suas posições, e sabedora da repercussão e retrocesso gerados não medirá esforços na revisão da política adotada. Enfim, é o nosso pedido.
Abraços a todos,
ACervAs Carioca, Paulista, Mineira, Gaúcha, Catarinense, Paranaense, Baiana e Capixaba, Goiana, Potiguar e Pernambucana."
oglobo.globo.com/blogs/cervejaso/
Realmente é uma questão seríssima, pode trazer consequências péssimas pro andar da cultura cervejeira no Brasil.