Gabriel Rogel escreveu: Eu ainda não vi os efeitos dessa nova tributação, vamos ver ai ...
Mas quando uns choram outros vendem lenço. Quem sabe isso pode influenciar positivamente na criação de estilos e no andamento de uma nova escola brasileira. O que existe hoje são muitas cervejas na pegada americana, dos extremos, as vezes acho tudo muito falso.
"Minha cerveja? muito lúpulo, dry hopping é essencial, muito malte, mete as brejas em barris de carvalho, adição de fruta brasileira da amazônia, sabe que fruta é essa? é uma fruta brasileira! Coisa nossa! Coloco tudo numa caçulinha de 300ml que economiza 30ml, ou melhor: 50ml ... meto o preço lá em cima, também...deu mó trabalho..."

Abraços
Eu acho o contrário, acho que isso vai matar a cena nacional mais relevante. Tem que entender que o movimento artesanal é essencialmente essa coisa da inovação. Quando todo mundo já tá cansado de Porter, o que estimula o mercado é o cara fazer a Porter com café, e por aí em diante. Não que tenha que seguir o mercado americano, mas também não tem muito como fugir disso, porque eles já bebem na fonte do mundo inteiro e reinventam lá, o mesmo que poderíamos fazer aqui de forma independente.
Uma possibilidade grande que eu vejo é a cena nacional se limitar às cervejinhas mais-ou-menos, tipo Karavelle, as Pilsens puro-malte genéricas, sobrando aí no meio os gatos pingados locais e de produção muito limitada. Por exemplo, desse jeito não faz muito sentido continuar vindo Tupiniquim, Seasons, Bodebrown pra SP. Duvido que elas deixarão de existir, mas a médio prazo não vejo como elas permaneceram fora do mercado local. Ou será que realmente a galera vai pagar R$40 numa Cacau IPA 300ml?
Desse jeito, ou o mercado vai encaretar e ficar no esqueminha pilsen/stout/weiss ou se consolidará de uma vez por todas como mercado de luxo pra valer, e aí eu não tem como o market share crescer. De um jeito ou de outro, eu não vejo muita possibilidade boa pela frente, não.