Mauro Renzi Ferreira escreveu:Como usam as industriais "de massa" como parâmetro, acham caras demais.
Isso me lembra uma coisa que aconteceu comigo. Estava comprando uma Baden Baden Golden Ale no supermercado; custava algo em torno de R$ 10. Quando passei a cerveja no caixa, a moça que estava atendendo olhou espantada e me disse: "Que cerveja cara!" Não tive dúvidas e respondi: "Mas vale quanto custa!" Mas isso reflete a opinião das pessoas comuns, que acham que pagar R$ 10 numa cerveja é coisa para "aficcionados": se ela paga R$ 5,00 numa premium e já não está vendo tanta diferença, desiste de continuar tentando as mais caras e acha que devem ser todas mais ou menos iguais.
Minha experiência mostra que o sucesso de uma cervangelização depende de convencer o adepto em potencial de que ele está pagando bem mais caro porque o que ele vai beber é realmente muito diferente de uma cerveja comum, é uma outra bebida. Para isso, tenho até um "mini-guia com 10 cervejas especiais recomendadas para iniciantes" (considerando custo-benefício, para não assustar com preços altos) que eu costumo mandar quando vejo que a pessoa se interessa pelo assunto. Nele, faço questão de indicar certas características da cerveja que eu sei que a pessoa jamais esperaria encontrar numa cerveja - por exemplo, aromas torrados remetendo a café e chocolate, ou então sabores caramelados, frutados e de ervas. Isso faz a pessoa perceber que ela está diante da oportunidade de tomar uma bebida muito diferente, e que deve tentar de cabeça aberta. Também costumo indicar sugestões de harmonização, o que normalmente já indica para a pessoa que ela vai beber algo mais proximo daquilo que ela entende como um vinho. Diante desse contexto, começa a fazer sentido pagar 4, 5 reais por uma long neck, 10 reais por 600ml etc.
Já obtive respostas do tipo: "Se isso que vc está nos mostrando se chama cerveja, então uma Skol da vida chama outra coisa!" Com uma dessas, ganhei o dia!