Vendo as últimas discussões do fórum, fiquei pensando sobre o mercado cervejeiro do Brasil. Vcs já pararam para refletir no rumo que esse nicho de cervejas de alto valor está tomando? Já especularam como vai ficar o futuro com todas as mudanças de mercado que estão acontecendo aqui? Acabei parando e refletindo sobre isso e achei bacana levantar essa bola aqui para ver o que vcs acham.
Para começar, tudo isso é só uma opinião. Não trabalho neste mercado para dar uma de Mãe Dinah...rsrs...
Pensei no que considero os 3 principais "players" desse nicho cervejeiro: as macrocervejarias, as cervejarias artesanais e independentes e as importadoras.
MACROCERVEJARIAS: sem dúvida a fusão da AmBev com a Interbrew ajudou bastante na popularização da cultura de cervejas de alto valor aqui no Brasil, já que cervejas como Hoegaarden, Franziskaner e Leffe agora tem boa distribuição nacional (tanto em gôndolas de mercados quanto em bares e restaurantes) e preços mais adequados ao padrão brasileiro. Schincariol, olhando para frente e vendo o aumento desse mercado, começou a montar também sua carteira de produtos de cerveja premium, a partir de aquisições de cervejarias artesanais nacionais (Eisenbah, Devassa, etc.). Com isso, a Schin massificou marcas que tinham conhecimento apenas no nicho e mto regionalizadas, distribuindo essas cervejas nacionalmente e dando capilaridade aos produtos.
Na minha opinião, ImBev e Schincariol vão acabar aumentando muito a base de consumidores de cervejas de alto valor. Não acho que demore muito para que uma boa parte dos Brahmeiros comecem a ver a cerveja como algo tão diversificado e interessante quanto o vinho, por exemplo. Potencial sempre existiu e só faltava uam grande emrpesa resolver investir nisso. Aconteceu.
CERVEJARIAS ARTESANAIS: quando um mercado cresce, aumenta a base de consumidores. Aumentando a base consumidores, todos os players, em todos os níveis, ganham. Isso inclui as cervejarias artesanais independentes (ou seja, sem vínculo a uma macrocervejaria). Acho que o número de artesanais vão aumentar sensivelmente e, pela competição, vão ter como estratégia atuar localmente, para ter um ganho logístico e chegar ao consumidor a um preço competitivo. Sem falar no apelo regional, que sempre funciona. Cervejarias artesanais que façam algum tipo de produto diferenciado e inovador, como a Colorado, fatalmente vão acabar sendo adquiridas por macrocervejarias.
IMPORTADORAS: importadores sobrevivem hoje de títulos consagrados que não existem presença dos fabricantes aqui (Guinness, Chimay, Wexford, Coopers, etc.). Como informação é algo globalizado, sempre haverá demanda para essas cervejas. Porém, com o crescimento das artesanais, opções similares e muito mais baratas irão fazer com que consumidores migrem para as opções nacionais, devido à diferença significativa de preço. ATENÇÃO: não estou dizendo que uma artesanal vai substituir uma Guinness ou uma Wexford. Mas a diferença de preço, aliada a similaridade da artesanal, faz com que se consuma cada vez mais o similiar. Cabe lembrar que quem gosta de uma cerveja específica está disposto a pagar mais caro por ela, mas não quer dizer que esse público não seja sensível a preço. Pode ser bem MENOS sensível, mas ainda assim existe um limite de tolerância. Como importadoras querem apenas explorar a demanda do mercado ao invés de desenvolve-la, importar cerveja vai começar a ser um negócio não tão atrativo como é hoje. Vejo então dois caminhos: 1) importadores vão reduzir a sua margem [strike]extremamente abusiva[/strike] para conseguir se adequar ao ambiente mais competitivo; 2) muitos importadores vão abandonar o mercado e haverá escassez de alguns títulos (coisa que já acontece hj com a Guinness em lata).
Enfim...essa é minha opinião. É só um achismo, por isso, podem criticar a vontade...rsrs
Abraços