Leonardo, a Xingu é da FEMSA, não da Schin. FEMSA que, aliás, faz cervejas bem razoáveis dentro dos seus estilos, como a Kaiser Gold ou a Heineken. E mesmo a própria Xingu, que não me desagrada nem mesmo apesar dos recorrentes off-flavors. Claro que, antigamente, eu gostava mais da Xingu. Mas, antigamente, eu também era muito menos crítico em relação às cervejas que bebia. Será que foi a cerveja que realmente mudou tanto ou foi mais meu paladar?
E veja, a Schin comprou Eisenbahn e Baden Baden. Resultado? Três medalhas no European Beer Star desse ano, duas para a Eisenbahn (incluindo uma de ouro) e uma para a Baden Baden. E, o melhor: Eisenbahn saindo entre R$ 3,00 e R$ 3,50 na gôndola do supermercado. Falando sério? Acho que o panorama não é assim como vc está dizendo, não...
Não dá para imaginar que todo mundo vai magicamente começar a beber IPA, stout ou dark strong ale. Tem gente que já provou essas coisas e simplesmente não gosta, está procurando outros estilos. Não tem nada de errado nisso. E tem o quesito financeiro, que ainda é bem forte. Alta carga tributária, distribuição ainda em pequena escala (veja o que a Eisenbahn conseguiu em termos de preço aumentando sua produção e distribuição). Acho que as pessoas estão começando agora a perceber que existem diversas cervejas para diversos gostos. Acho que a tendência para o futuro é o mercado se diversificar cada vez mais. As American lagers jamais vão desaparecer, e acho que elas continuarão sempre abocanhando as maiores fatias do mercado. São baratas, neutras, desagradam pouca gente. Quando bem-feitas, bem-transportadas e bem-acondicionadas, são cervejas com baixo índice de rejeição.
A alta gastronomia ainda é completamente dominada pelos vinhos, e acho que isso continuará como uma tendência majoritária, porque os vinhos são mais caros, mais exclusivo e mais elitizados - que é exatamente o que uma parcela do mercado da alta gastronomia procura. Mas vejo potencial sério de expansão para as cervejas especiais nesse setor, e também num setor "intermediário", entre a baixa e a alta gastronomia. Acho que os ventos da mudança já estão soprando...