Novas Cervejas com Método Champenoise

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14 anos 3 meses atrás #34817 por Flavio Marques
Sou iniciante no mundo das cervejas.

Cresci na cidade e não consigo perceber determinados sabores e principalmente aromas. Até já pensei em adquirir um kit de aromas de vinhos - não achei kits de aromas de cervejas - para melhorar meu olfato.

De qualquer forma, tenho estudado e degustado cervejas especiais principalmente desde outubro de 2011, e já experimentei algumas das cervejas clássicas comentadas aqui. Meu paladar está melhorando um pouco.

Lendo o excelente artigo do Alexandre Marcussi sobre cervejas com o método Champenoise ( www.brejas.com.br/blog/25-01-2012/bieres...u-novo-status-11420/ ), me veio à cabeça algumas dúvidas.

Conforme o texto do Marcussi, a base das cervejas com método Champenoise costuma ser uma Strong Ale (é o caso da Eisenbahn Lust ou Deus) ou Dark Strong Ale (Malheur Brut).

Se o método fosse aplicado às cervejas abaixo, qual seria o provável sabor e aroma das mesmas?

- Baden Baden Red Ale
- Antartica Original - desculpem por colocar uma cerveja mais simples na relação, mas das mais baratas e disponíveis em qualquer lugar é uma das que mais aprecio
- Boon Kriek
- Hacker-Pschorr Anno 1417
- Bavaria 8.6 Special Red Beer

Já existem cervejas disponíveis que mesmo não usando o método Champenoise se assemelhariam ao resultado que teríamos ?

Outra dúvida: se as cervejas fossem maturadas em barris de carvalho ou outros - vide Wäls Quadruppel - durante anos, teríamos uma cerveja mais complexa e rica. Isso as ajudaria em se aproximar do status dos vinhos no mercado ? Até quanto tempo essa maturação seria viável, mantendo-se - ou melhorando - a qualidade da mesma ?

Obrigado pelas respostas.
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14 anos 3 meses atrás #34823 por Alexandre Almeida Marcussi
Flávio, vc fez várias perguntas que é difícil responder assim, de bate pronto. Vou tentar esclarecer algumas questões:

1. Método champenoise: uma das partes mais importantes desse método é a refermentação na garrafa. Portanto, a cerveja deve receber leveduras e uma nova dose de açúcares ao ser engarrafada. Isso não ocorre com nenhuma das cervejas que vc citou: a Baden Baden, a Original e a Bavaria são filtradas antes do engarrafamento (e portanto não vão para a garrafa com as leveduras); a Boon não leva leveduras por ser uma lambic; e a Hacker-Pschorr, salvo engano, é engarrafada com leveduras mas não leva nova dose de açúcares, então não sofre refermentação. Portanto, não teria sentido aplicar o método champenoise a nenhuma delas.

Só faz sentido aplicar o método champenoise a cervejas que, como muitas belgas, são refermentadas na garrafa. A Wäls Quadruppel, que vc citou, é uma delas. Se vc quer uma cerveja que se assemelhe a uma bière brut, tente os estilos que servem de base para essas cervejas: as Belgian tripel e as Belgian golden strong ales. A Eisenbahn, a Malheur e a Wäls inclusive comercializam a receita que serve de base para suas bières brut: Eisenbahn Strong Golden Ale, Malheur 10, Wäls Trippel, respectivamente.

2. Maturação em barricas de carvalho (ou qualquer outra madeira): poucas cervejas aguentam muito tempo na madeira sem pegarem um certo gosto azedo e alguns aromas de leveduras selvagens. Isso ocorre porque na madeira vivem microorganismos que naturalmente "contaminam" a cerveja com o tempo. Poucas cervejarias deixam suas criação por mais de 6 meses em carvalho se não querem que elas azedem. Mas existem estilos (em especial belgas) que são deliberadamente deixados em barris de madeira até azedarem, como as Flandres red ales, e algumas lambics passam muitos anos em barris antes de serem engarrafadas.

A Wäls Quadruppel não é maturada em barris de carvalho, ela recebe chips (lascas) de carvalho durante sua maturação (que ocorre em tanques de inox). Uma cerveja brasileira bem acessível que passa por maturação em barris de madeira (no caso, umburana) e que pega um gosto bem marcante da madeira é a 3 Lobos Bravo. As cervejas que aguentam bem a maturação em madeira são aquelas que conseguem suportar melhor a oxidação, normalmente cervejas mais intensas e alcoólicas.

Se isso as ajudaria a se aproximar do status dos vinhos? Não necessariamente, ao meu ver. A 3 Lobos é uma cerveja que não tem pretensões a ostentar uma imagem associada ao vinho, muito embora use barricas de madeira. Já uma cerveja como a Harviestoun Ola Dubh matura em carvalho e já se aproxima mais do status de um vinho (ou melhor, de um uísque). E as bières brut são um bom exemplo de cervejas que não passam por madeira e mesmo assim têm uma imagem associada ao glamour do vinho. Tudo depende da inserção de mercado buscada por cada marca.

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14 anos 3 meses atrás #34844 por Flavio Marques
Obrigado pela resposta, Marcussi, já esclareceu algumas dúvidas.

Eu imaginei em usar a base das cervejas citadas e então continuar com o método Champenoise. Para isso ter sentido, conforme você falou, precisaria haver o acréscimo de leveduras e açúcares à base da cerveja antes da aplicação do método.

Seria assim: cerveja base (versão já disponível no mercado) + acréscimo de leveduras e açúcares + aplicação do método Champenoise = cerveja resultante com quais características ?

Seria possível mais ou menos prever o aroma e sabor da cerveja resultante ?

É só uma curiosidade mesmo.
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14 anos 3 meses atrás #34903 por Alexandre Almeida Marcussi
<strong>Flavio Marques escreveu:</strong>

Seria possível mais ou menos prever o aroma e sabor da cerveja resultante ?

Em todos os casos, isso depende estritamente de qual cepa de levedura for usada para a refermentação. Como regra geral, se pegarmos as clássicas leveduras para champagne usadas na fabricação das bières brut, o resultado geral seria mais ou menos o seguinte:

1. Corpo mais leve e seco: a refermentação consome açúcares e consequentemente diminui o corpo.
2. Maior complexidade aromática.
3. Caraterísticas frutadas, de especiarias e/ou florais mais acentuadas.
4. Características de oxidação: cervejas mais delicadas poderiam apresentar aromas amendoados, enquanto as mais robustas e escuras poderiam pender para aromas de couro, madeira e até vinho do Porto.
5. Carbonatação mais expressiva, aumentando a sensação de leveza e refrescância.

Nunca vi uma cerveja com fermentação primária de lager e fermentação secundária com fermento ale (seria o caso da Hacker-Pschorr e da Bavaria, se o método se aplicasse a elas). Não sei se isso é teoricamente possível. Já vi o contrário (é o caso da Erdinger). No caso da Boon Kriek, como estamos falando em uma cerveja com bactérias acéticas e láticas, provavelmente ocorreria competição com a nova cepa de leveduras durante a refermentação, e a eficiência do processo todo ficaria muito comprometida.

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