Cerveja caseira será produzida pela cervejaria mineira Wäls
Após ter sido “descoberta” pelos degustadores de Curitiba — onde era produzida em regime caseiro e circulava como raridade — e merecer um programa Pão e Cerveja inteirinho pra si, a cerveja DUM Petroleum vai ser fabricada em escala industrial por uma das cervejarias mais antenadas no cenário cervejeiro nacional e da cultura cervejeira.
O anúncio oficial foi feito nesse final de semana na página do Facebook da Wäls Cervejas Especiais. A microcervejaria de Belo Horizonte (MG) noticiou que a brassagem da cerveja foi posta a cabo entre os dias 20 e 21, e que no momento está fermentando em seus tanques. “Aqueles que tiverem paciência serão recompensados”, afirmam os cervejeiros.
O petróleo é nosso!
Já tive a sorte de experimentar a cerveja, e posso dizer que é ótima.
O trio de cervejeiros curitibanos Luiz Felipe Camargo Araujo, Murilo Foltran e Julio Moutinho foi feliz em elaborar uma breja no estilo russian imperial stout extremamente sedosa e aveludada, utilizando aveia e cacau importado da Bélgica. Extremamente viscosa — como, afinal, é o petróleo — a breja ostenta notas assertivas de café e chocolate e possui potentes 11% de potência alcoólica e 75 IBU de amargor. Tais características, entretanto, estão magicamente inseridas dentro do conjunto, equilibrando-o. O resultado é uma cerveja muito complexa, ombreando com os grandes rótulos importados do estilo.
Uma saída para os cervejeiros caseiros
Enquanto a legislação brasileira ainda é esse cipoal de normas conflitantes e hostis para com a regularização das microcervejarias, a atitude dos cervejeiros mineiros e paranaenses acena para uma perspectiva animadora: A de reproduzir-se receitas amadoras consagradas em cervejarias já estabelecidas, como forma de comercializá-las dentro da lei.
A prática não é novidade: As brejas Colorado Demoiselle e a ainda inédita Grão Pará (rebatizada Bertho) foram elaboradas em parceria com o homebrewer carioca Ricardo Rosa. O Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, projeto hoje inexplicavelmente suspenso, possibilitou que três cervejeiros caseiros, em parceria com a cervejaria blumenauense, comercializassem suas produções. Já a Cervejaria Bamberg, de Votorantim (SP) apoia os concursos internos da ACervA Paulista (associação de cervejeiros caseiros do estado), reproduzindo comercialmente a receita campeã. E os exemplos não param por aí.
Já que a lei brasileira é hostil às pequenas cervejarias e beneplácita com os grandes grupos cervejeiros, a cultura cervejeira vai encontrando o seu caminho. Mesmo que seja um atalho.
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